"Quando alguém vai à Brasília eu pergunto se viu o Congresso Nacional e pergunto depois se gostou, se achou que o projeto era bom. Certo de que ela podia ter gostado ou não, mas nunca podia dizer, que tinha visto antes coisa parecida".
"Com a mesma preocupação de invenção arquitetural concebi o Congresso Nacional, a exibir seus setores principais nas grandes cúpulas contrastantes..."
"Primeiro separei as colunas do edifício e imaginei-me a caminhar entre elas. E soube que as devia fazer diferente, criando novos pontos de vista. As regras limitadoras de pureza estrutural não me preocupavam. A liberdade plástica me possuía e as fiz com as pontas finas e o palácio como apenas tocando o chão."
"Eu me lembro quando eu fiz o Palácio do Planalto. No Palácio do Planalto eu queria fazer as colunas muito finas, eu sabia que o apoio acabava aqui, que isso aqui podia ser posto de lado, mas eu queria essa forma, achava que essa forma ficava mais festiva, que era mais bonita, que ela criava para quem passava entre elas pontos de vista diferentes."
"Na Catedral, por exemplo, evitei as soluções usuais das velhas catedrais escuras, lembrando pecado. E ao contrário, fiz escura a galeria de acesso à nave e esta, toda iluminada, colorida, voltada com seus belos vitrais transparentes para os espaços infinitos."
"Eu quando fiz a catedral eu não queria fazer uma Catedral como as outras, belíssimas, escuras lembrando pecado. Eu queria fazer uma catedral diferente. Eu fiz a galeria em sombra e a nave toda aberta para o espaço. E a Catedral ficou bonita. Era a procura da terra com os espaços infinitos."
Vejam só. Trabalho de Linguagem Audiovisual 2: escolher e comentar um clipe. Agora me respondam: onde estava com cabeça quando fui estudar Direito?
Música: Strawberry Fields Forever
Artista: The Beatles
Álbum: lançada em compacto e relançada no álbum Magical Mistery Tour
Ano: 1967
Lançada em compacto de vinil, em 1967, Strawberry Fields Forever tornou-se uma canção emblemática que, passados 41 anos, permanece referência estética para a música pop – sobretudo em sua vertente britânica. Se inegável é a contribuição de Strawberry Fields para a “chapação” do britpop atual, não menos importante é essa canção dentro da história dos Beatles. Trata-se de um marco divisório sonoro entre os últimos suspiros do ié-ié-ié e o embarque na viagem musical que duraria até o fim da banda, em 1970. Há ainda outro aspecto que surge com o clipe: pela primeira vez, os Beatles aparecem bigodudos (e barbudo, no caso de George Harrison). Era a pá de cal na imagem de bons meninos escanhoados de Liverpool. Longa vida aos Beatles psicodélicos! O aspecto principal do clipe está na influência que o surrealismo exerceu sobre a musicalidade da banda – e sobre a cabeça de John Lennon principalmente. A letra de Strawberry Fields Forever é uma colagem de imagens poéticas que fazem referência a um asilo (Strawberry Fields) do Exército da Salvação em Liverpool que John costumava visitar nos dias de quermesse. Mas, ao invés de uma descrição realista, o asilo é reconstruído de maneira onírica, tornando-se um mosaico de sensações que causam estranhamento, mas que depois aproximam o ouvinte. Bem à maneira do surrealismo.
Desta forma, o clipe buscou – e conseguiu - adaptar certos cânones do cinema surrealista à dimensão lisérgica dos anos 60. Para acompanhar a canção, o clipe procurou romper as fronteiras entre a realidade e o sonho. Sobreposição de imagens, seqüências em câmera-lenta e edição não-linear ajudam a criar a atmosfera psicodélica e retomam o conceito surrealista de dispositivo, focado nas possibilidades técnicas a serviço de uma estética que privilegia o livre fluxo de idéias em lugar da narrativa clássica. E este é um risco que não é para qualquer um. Mas os Beatles, definitivamente, estavam credenciados a todas as experimentações possíveis.
João Victor de Assis repara o ambiente e sorri com gosto. Na pista, mulheres de cores e idades variadas sambam. Bumbo, pandeiro, repique, cavaquinho e violões quase impedem que sua resposta seja ouvida. Desnecessário, talvez, porque o tamanho de seu sorriso já entregou a razão dele estar ali.
- Olha só para elas, que maravilhas. É por isso que eu venho aqui, é por elas. Só tem mulher que fala no pé.
João Victor tem trinta e quatro anos e é militar. Mas, muito antes de entrar para a caserna, na infância, já dava os primeiros passos no samba, “pegava um lenço e brincava de mestre-sala”. Tem origem para tanto: nasceu em Madureira, terra do Império Serrano e da “Portela do coração”. Hoje, vive na Lapa, segundo ele “um lugar onde a noite tem uma magia especial”.
- Aqui tem tudo para todos. Eu sou do samba, mas você é que é do rock tem seu espaço. Hip-hop, reggae, forró..... A Lapa é democrática, todo mundo é bem-vindo.
João Victor aproveita todas as oportunidades para trocar o coturno pelo sapato bicolor de bico fino, e o ritmo da marcha pela cadência do samba. Se a mira do militar permanece a mesma, os alvos mudam: a certa distância, em um canto do salão, uma loura de belas pernas dança sozinha. João Victor a observa atentamente, depois pede licença justificando que “vai à luta”. Minutos depois a moça já não samba só: João Victor está lá, cortejando-a com determinação de um soldado e a ginga de um mestre-sala.
Escritor e colunista do jornal O Globo, o jornalista Arnaldo Bloch afirmou, na palestra intitulada “Jornalismo se aprende na escola?”, a importância que a graduação na Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) teve em sua formação profissional e pessoal. Organizado pelos alunos do Laboratório de Texto Jornalístico do Professor André Motta Lima, o evento ocorreu no dia 19 de outubro, no auditório da Central de Produção Multimídia da ECO, no campus da UFRJ na Praia Vermelha.
Bloch, que é herdeiro de uma longa tradição no jornalismo, trabalhou desde cedo nas empresas da família. Foi repórter, redator e até editor de revista de fotonovela. Mesmo considerando importante a experiência prática, o jornalista respondeu à pergunta-tema da palestra sustentando a necessidade da formação acadêmica, “sobretudo por desenvolver o espírito crítico”.
Sobre a crônica, gênero a meio caminho entre a literatura e o jornalismo, Bloch considera que vivemos um período em que os “os cronistas estão muito jornalistas”, isto é, têm preferido comentar fatos do cotidiano e “ditar códigos de conduta”, em detrimento da composição de crônicas. O que, segundo o colunista, é um desperdício, pois “muita gente perde a oportunidade de exercitar seus bons textos com isso”.
Ao ingressar na UFRJ em 1981, Bloch pretendia ser músico. Mas o ambiente familiar e a convivência com escritores e cronistas amigos – como Carlos Heitor Cony – acabaram por encaminhá-lo à literatura e ao jornalismo. Sobre os anos na Escola, o colunista recordou as leituras e os professores, bem como as atividades no Centro Acadêmico e os shows do Imprensão. Segundo Bloch, a ECO ajudou a diversificar seu círculo de amizades, até então restrito à comunidade judaica.
- Quando entrei na ECO, cheguei no laguinho e vi a galera que tinha lá, foi uma espécie de Xangri-lá. O mundo se abriu para mim, para novas experiências, para novas cabeças. Havia gente de tudo que era jeito. – lembra.
Há cerca de dois meses, o jornalista criou polêmica ao criticar, em sua coluna de sábado no Globo, o projeto do reitor da UFRJ, Aloísio Teixeira, que pretende esvaziar o campus da Praia Vermelha e concentrar todos os cursos da universidade no campus da Ilha do Fundão. Para Bloch, colocar em pauta novas discussões é uma obrigação do jornalista. O texto, que mereceu a reposta do reitor e as cartas de muitos leitores, se debate contra, entre outras medidas, a possível demolição do “amado” bar Sujinho – “bastião de gerações”.Ao que parece, o colunista soube como provocar a discussão: cutucou um medo comum a muitos professores, estudantes e funcionários do campus – ver em ruínas o xodó da Praia Vermelha.